MZUSP - Museu de Zoologia da USP
23.18.19 - Ensino e formação

02/05/2019, às 10 horas, defesa da dissertação da pós-graduanda Rosana Fernandes da Cunha

No próximo dia 02 de maio, quinta-feira, às 10 horas, no  Auditório do Museu de Zoologia da USP (Av. Nazaré, 481, Ipiranga, São Paulo/SP) haverá a defesa da dissertação de mestrado da aluna Rosana Fernandes da Cunha, orientada pelo Prof. Dr. Marcos Domingos Siqueira Tavares, do Programa de Pós-Graduação em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade, do Museu de Zoologia da USP, com o trabalho intitulado: “Revisão do Gênero Narcissia Gray, 1840 (Echinodermata: Asteroidea: Ophidiasteridae) da Morfologia à Taxonomia”.

A Comissão Julgadora está composta pelos membros titulares abaixo:

Dr. Marcos Domingos Siqueira Tavares (Presidente) – MZUSP
Dra. Michela Borges – UNICAMP
Dra. Luciana Ribeiro Martins – Externo

 

Estrelas do mar Rosana

 

RESUMO

 Desde a revisão taxonômica dos Ophidiasteridae por H. L. Clark (1921), em que 20 gêneros foram reconhecidos como válidos, vários novos gêneros e espécies foram incluídos nesta família, e os limites entre alguns deles se tornaram largamente arbitrários. Isso também se aplica a Narcissia Gray, 1840, cuja morfologia e taxonomia são, ainda hoje, muito mal compreendidas. Os principais objetivos desta pesquisa foram: revisar a taxonomia do gênero Narcissia ao longo de toda a sua área de distribuição, a partir de estudos morfológicos; redescrever e caracterizar, morfologicamente, Narcissia trigonaria Sladen, 1889 strictu senso; caracterizar, morfologicamente, N. canariensis (d’Orbigny, 1839) e N. ahearnae Pawson, 2007, as duas espécies válidas mais semelhantes a N. trigonaria; rever a validade de N. trigonaria var. helenae Mortensen, 1933; rever a validade de N. gracilis malpeloensis Downey, 1975. Cerca de 370 espécimes do gênero Narcissia foram analisados: dois indivíduos de N. ahearnae, 82 espécimes de N. canariensis, 44 de N. gracilis e 242 de N. trigonaria. O material que serviu de base para nossos estudos pertence às coleções de museus nacionais e internacionais. A terminologia para estruturas morfológicas seguiu Clark (1921), Turner & Dearborn (1972), Clark e Downey (1992) e Gale (2011). As pedicelárias foram classificadas de acordo com Jangoux e Lambert (1988). Todas as estruturas morfológicas de importância taxonômica foram ilustradas. E, pela primeira vez, os caracteres internos deste grupo foram estudados, a partir de microscopia eletrônica e tomografia. Uma nova diagnose para o gênero Narcissia foi disponibilizada. Todas as espécies do gênero foram revisadas e morfologicamente redescritas, e uma nova chave dicotômica, com novos caracteres taxonômicos, foi construída para identificá-las. O posicionamento de Narcissia, dentro da Família Ophidiasteridae, foi contestado, agora a partir de caracteres morfológicos. Foi observado que alguns caracteres são mais variáveis que outros e podem mudar ao longo da ontogenia e dos indivíduos, e, também, que alguns caracteres juvenis são mantidos em organismos adultos. Os dados obtidos neste trabalho são, de longe, os mais completos já adquiridos para o gênero Narcissia e, futuramente, podem servir de base para os estudos morfológicos de outros grupos da Classe Asteroidea.

 

ABSTRACT

Since the taxonomic revision of the Ophidiasteridae by H. L. Clark (1921), in which 20 genera were recognized as valid, several new genera and species were included in this family, and the boundaries between some of them became largely arbitrary. This also applies to Narcissia Gray, 1840, whose morphology and taxonomy are still very poorly understood today. The main goals of this research were: review the taxonomy of the genus Narcissia, throughout its range of distribution, from morphological studies; redescribe and characterize, morphologically, N. trigonaria Sladen, 1889 str. s; characterize, morphologically, N. canariensis (d’Orbigny, 1839) and N. ahearnae Pawson, 2007, the two valid species most similar to N. trigonaria; review the validity of N. trigonaria var. helenae Mortensen, 1933; review the validity of the N. gracilis malpeloensis Downey, 1975. About 370 specimens of the genus Narcissia were analyzed: two individuals of N. ahearnae, 82 specimens of N. canariensis, 44 of N. gracilis, and 242 of N. trigonaria. The material that has served as a basis for our studies belongs to the national and international collections. The terminology for morphological structures has followed Clark (1921), Turner & Dearborn (1972), Clark & Downey (1992) and Gale (2011). Pedicellariae were classified according to Jangoux & Lambert (1988). All morphological structures of taxonomic importance have been illustrated. And, for the first time, the internal characters of this group were studied, from electron microscopy and tomography. A new diagnosis for the genus Narcissia was constructed. All species of the genus were reviewed and morphologically redescribed, and a new dichotomous key, with new taxonomic characters, was constructed to identify them. The Narcissia’s position, inside the Ophidiasteridae Family, was contested, now from morphological characters. It has been observed that some characters are more variable than others and they can change along the ontogeny of individuals, and, also, some juvenile characters are kept in adult organisms. The data set obtained in this work are, by far, the most complete already acquired within the genus Narcissia and, in the future, may serve as the basis for the morphological studies of other groups of the Asteroidea Class.