MZUSP - Museu de Zoologia da USP
23.00.19 - Ensino e formação

26/04/2019, às 13 horas, defesa da tese do pós-graduando Murilo Nogueira de Lima Pastana

No próximo dia 26 de abril, sexta-feira, às 13 horas, no  Auditório do Museu de Zoologia da USP (Av. Nazaré, 481, Ipiranga, São Paulo/SP) haverá a defesa da tese de doutorado do aluno Murilo Nogueira de Lima Pastana, orientado pelo Prof. Dr. Aléssio Datovo da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Sistemática, Taxonomia Animal e Biodiversidade, do Museu de Zoologia da USP, com o trabalho intitulado: “Relações filogenéticas de Stromateiformes (Teleostei; Percomorphacea) com base em dados fenotípicos”.

A Comissão Julgadora está composta pelos membros titulares, os Doutores:

Dr. Aléssio Datovo da Silva (Presidente) – MZUSP
Dr. Mario Cesar Cardoso de Pinna – MZUSP
Dr. Luiz Antônio Wanderley Peixoto – MZUSP
Dr. Flávio Alicino Bockmann – FFCLRP
Dra. Mônica de Toledo Piza Ragazzo – IBUSP

RESUMO

A divisão Percomorphacea engloba a maior diversidade de peixes viventes, somando mais da metade dos peixes de nadadeiras raiadas e o equivalente a praticamente um quarto de todos os vertebrados atuais. Entretanto, as interrelações entre as maiorias das linhagens de Percomorphacea ainda está longe de uma resolução satisfatória. Dentre as 30 ordens de Percomorphacea reconhecidas atualmente, Stromateiformes agrupa 77 espécies organizadas em 16 gêneros e seis famílias – Amarsipidae, Ariommatidae, Centrolophidae, Nomeidae, Stromateidae e Tetragonuridae. Membros dessa ordem exibem distribuição global em águas tropicais e temperadas, tanto em ambientes pelágicos ou costeiros, e são tradicionalmente agrupados por apresentar duas especializações morfológicas singulares: a presença de uma bolsa faringeana, e de uma rede de canais subdérmicos sobre a cabeça e o tronco. O status filético de Stromateiformes nunca foi testado de maneira apropriada com base em dados morfológicos, e seu monofiletismo tem sido rejeitado por diferentes análises filogenéticas pautadas em dados moleculares. Além disso, análises morfológicas e moleculares têm se mostrado indecisivas quanto às relações de Stromateiformes com outros Percomorphacea. O presente estudo se propôs a investigar estas questões e apresentou uma ampla revisão filogenética de Stromateiformes baseada uma análise exaustiva de 218 caracteres fenotípicos e 66 táxons terminais, o que inclui todos os gêneros válidos de Stromateiformes bem como todas as famílias de Percomorphacea que de alguma maneira já foram alinhadas à ordem. A topologia resultante indica a ordem como monofilética e suportada por quatro sinapomorfias. Amarsipidae, o único representante de Stromateiformes a não apresentar uma bolsa faringeana, é posicionado como grupo irmão dos demais membros da ordem. Centrolophidae não é monofilético, com cinco de seus gêneros agrupados em um clado basal, enquanto outros dois aparecem como grupos irmãos sucessivos de um clado composto pelas demais famílias de Stromateiformes Todas estas famílias são recuperadas como monofiléticas, arranjadas da seguinte maneira: Nomeidae (Stromateidae (Tetragonuridae, Ariommatidae)). Um clado composto por Bramidae e Caristiidae é aqui hipotetizado como sendo o grupo irmão dos Stromateiformes, apesar desse arranjo ser suportado por apenas uma sinapomorfia não ambígua. O presente estudo ainda apresenta uma hipótese de que a relação simbiótica singular entre juvenis de Stromateiformes e outros invertebrados gelatinosos (e.g. medusas e salpas) está provavelmente associado com a evolução de algumas das mais notáveis especializações morfológicas do grupo, tais como os cecos pilóricos arranjados numa massa dendrítica, a presença de um plexo de canais subcutâneos, e a presença de uma bolsa faringeana.